quinta-feira, 23 de julho de 2015

Recordando

"Senti-me querido, desejado, acolhido."

A possibilidade de uma ida minha a Leiria foi o mote para conhecer a Laura em carne e osso.

Em carne e osso, porque virtual e foristicamente já a conhecia. Afinal, de há alguns meses a esta parte, raros terão sido os dias em que não trocámos algumas palavras.

Confesso que estava curioso. Adivinhava uma excelente conversadora, uma pessoa inteligente, com sentido de humor, e sobretudo, sensível. Se as duas primeiras qualidades são evidentes para qualquer um, já a última a vinha adivinhando em pequeníssimos detalhes, coisas de quase nada, ao ponto de me questionar se não seriam fruto da minha imaginação.

Não foi fácil - no inicio, pelo menos - marcar este encontro. Uma reserva da Laura, que julgou - e assim me disse - que estivesse de alguma forma a brincar, a judiar...

As duvidas dissiparam-se, mas ficou a minha interrogação interior. Que abismo poderá haver entre mim e o meu nick ? Que imagem projecto aos outros? Apesar de não ter qualquer intenção de fazer do nick que utilizo um personagem virtual, inventado, até que ponto ele é eu e eu sou ele? Filosofias...

A verdade é que estava em pulgas para ir a Leiria. Estudado o caminho, banho tomado, e lá fui, naquele dia soalheiro, pela A1 a fora.

Leiria é mais perto que tinha ideia... nuns quaisquer 60 minutos já lá estava.

Resolvidos alguns pequenos engulhos, lá encontrei o ninho da Laura, que iria descer para almoçarmos.

Curiosamente, não havia em mim qualquer nervosismo. Sabia - com a certeza das coisas sabidas - que tudo ia correr bem. Não no plano sexual, necessariamente, mas no plano pessoal. Como julgo que lhe disse, algures, nas muitas palavras que trocamos nessa tarde, estava ali para a conhecer, e não para dar uma queca. Embora - confesso - a desejasse....

Adorei quem vi a descer as escadas, pendurada nuns bonitos pumps pretos que lhe moldavam os pés pequenos. Fisicamente, já sabia o que ia encontrar. Uma mulher gordinha, pequenina - como eu gosto delas - a transbordar uma feminilidade subtil. Uma mulher incrivelmente sexy, fora dos moldes e das normas, mas incrivelmente sexy.

Mas encontrei mais. Uma mulher que me suscitou instantaneamente uma enorme ternura. Uma vontade de tocar e de beijar, de abraçar e de foder.

Sim de foder, porque essa sexualidade luminosa eu já sabia que lá estava, esse lado lascivo, do ter prazer em ter e dar prazer, eu já o conhecia da sua escrita, e dos sinais, dos tais sinais de que falava há pouco, e que me diziam - também - isso mesmo.

Fomos almoçar, como combinado. A caminho, senti-me tranquilo, sem nervos, sem gelo para quebrar. Se alguma vez existiu, acho que se derreteu quando a vi descer as escadas.

E eu queria almoçar. Não por ter fome, mas porque era assim que fazia sentido. Tanto como come-la, queria descobri-la, e a mesa é um lugar único para isso.

Estava boa a picanha do Buraco da Velha... E a conversa também, fluindo, sem stress, nem pressas, nem reservas.

É a partir daqui que tudo se torna difuso...

Por varias vezes senti ganas de beijar aquelas lábios carnudos, incrivelmente apetitosos como cerejas maduras a que não se pode resistir...

Mas o primeiro impacto foi olfactivo. Foi o suave e discreto cheiro a baunilha que ela exalava, que me inebriou. Um cheiro a sexo, intimidade e carinho.

O segundo, foi o toque da sua pele. Tenho a mania de mexer as pessoas, homens e mulheres, quando falo com eles. O toque dela era veludo quente...

Depois, o momento em que a sua perna tocou contra a a minha. Electrizante, como uma descarga de 10.000 volts. Há anos - 30?35? - que não sentia aquilo, aquele calor nos rins, aquele nó na garganta.

Ela diz que eu a beijei... Ali no restaurante. Não me lembro. Não é nada meu fazer isso. Nunca fui malandro, nem afoito. Foi puro instinto, foi sem pensar.

Do que me lembro, isso sim, é de estar totalmente focado nela, atraído para lá das minhas forças, como por um íman.

Depois, o banho, os beijos - e meu Deus, como ela beija...- a delicadeza, o carinho e o tesão do seu toque num cocktail inebriante, a delicia da sua boca no meu pau já latejaste. O explorar aquele corpo amplo, macio, acolhedor, reactivo. Sentir o calor e a maciez da sua intimidade, senti-lá molhada, o clitóris a pulsar, a crescer.

O resto foi um mergulho... Hipnótico, os sentidos despertos, o tesão. O corpo todo alerta, a sentir tudo, como que amplificado. O senti-la por dentro e por fora, o prazer de a penetrar, prazer de sentir o seu sabor, o corpo a vibrar, o peito a ruborescer. Os olhos no fundo dos olhos. O provar o seu sabor, a reactividade do seu sexo.

Vim-me olimpicamente, totalmente, do fundo da alma, da pele e dos tomates. Senti-me querido, desejado, acolhido. Sentia-a beber o meu leite todo, numa suprema prova da intimidade que ali se partilhou.

Assim me vim embora, bêbado, e assim fiquei por um ou dois dias.

Quero mais. Não necessariamente igual, melhor ou pior. Quero apenas mais. Quero come-la, sim - quero, muito - mas quero-a toda, inteira. Quero almoçar com ela, conversar, trocar carinhos, ouvi-la, que ela me oiça. E depois - suprema cereja no bolo - quero come-la toda. Quero dar-lhe prazer, e que ela a mim o dê.

Para ti , com toda a ternura.


Recebido por email..

3 comentários:

  1. Uma homenagem que tenho a certeza merecida,sentida e sincera,nada há acrescentar, a não ser que também um dia irei certamente a Leiria.

    Beijos magicos

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